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domingo, 22 de janeiro de 2012

Idade Média

O Nascimento do Ocidente



Esta Obra foi revista com correções e acréscimos, como resposta ao interesse que o Brasil tem pela História Medieval, um assunto muito rico e complexo. O autor Hilário Franco Júnior, nos revela em sua Obra “A Idade Média, O Nascimento do Ocidente” que não temos conhecimento de todos os fatos importantes, concentrando-se assim apenas na sua análise sobre a Idade Média.
Todos os homens se vêem em época contemporânea mesmo ela sendo catalogada futuramente como antiga (medieval, por exemplo), isso é como dar nomes a acontecimentos passados. Este pré-conceito foi elaborado no século XVI, pois “grandes” nomes da época davam nomes a Obras que por não terem certos padrões, denominados clássicos eram vistas como toscas, sem esquecer-se de outros acontecimentos que impregnaram o período. O grande pintor Rafael Sanzio denominou certas Obras de “Góticas” termo utilizado como sinônimo de bárbaro e na mesma linha podemos citar François Rebelais, que se referia a Idade Média como “a espessa noite gótica”, personagens como estes tiveram contribuição para que no século XVII passasse a prevalecer a expressão Medium Aevum.

Hilário F. Júnior
Época esta, criticada por protestantes e vista como período de supremacia da Igreja Católica, que dominava até as ideologias sendo detentora do conhecimento (livros e educação), do período, tempo este também de reis fracos e fragmentação política, onde o cristianismo soava como um “atraso” e intervalo do progresso humano na visão dos iluministas (razão). Período que provava do desprezo dos intelectuais racionalistas que discriminavam esta cultura, muito ligada a valores espirituais.

A filosofia da época, que guiava-se pela luz da razão. Iluministas censuravam o forte peso político que a Igreja desfrutava e sintetizando tais críticas, Denis Diderot afirma que “sem religião seriamos um pouco mais felizes”, compartilho desta afirmação na medida em que vemos ao longo da história como a mão católica muitas vezes se faz prejudicial à sociedade, os papas nesta época eram vistos como símbolo de fanatismo e atraso pelos intelectuais.

O Renascimento do século XIX valorizou o período com a questão de identidade nacional, que ganhou uma forte ênfase com a Revolução Francesa. O Romance resgatou o período e trouxe certa harmonia em questões de Arquitetura, Arte, Música e Literatura com sua paixão e exuberância. Para o romantismo o período era esplendido, ou seja, algo que deveria ser imitado e prolongado, fazendo assim uma restauração de inúmeros monumentos medievais inventando detalhes e modificações de concepções. Com todos esses avanços a Idade Média não pode ser sinônimo de “Idade das Trevas”.

Gárgula
Este trabalho feito em indícios, fragmentos e fontes primárias, que jamais foram reconstituídas tem a história como “filha do tempo”, sendo assim cada período tem sua preciosidade, sua Grécia sua Roma e sua Idade Média e assim reciprocamente seu Renascimento, sendo concebida a História como um processo natural e evidente, se deve renunciar a busca por um fato específico que teria sido um marco inaugural ou de encerramento, de um determinado acontecimento ou período.

Na Idade Média a Igreja, sentia-se como a verdadeira e legitima herdeira do Império Romano (legitimando as coisas e se impondo no cenário), era a rainha das terras e potência política, dando assim força de Lei ao dízimo e uma expansão territorial da qual as cruzadas são a face mais conhecida, uma sociedade que passava de costumes feudo clericais para feudo burguesas, dominada plenamente e culturalmente pela Santa Igreja Católica.

Neste período emergia as cidades, as universidades e a literatura vernácula, juntamente com a filosofia (ciência empírica). Os conservadores como Dante, lamentavam tais transformações, mas sem negar o período caminhava em direção a novos tempos, novos moldes, porem com elementos medievais.

Dante Alighieri
As teorias cíclicas influenciaram o cristianismo e reforçaram pensamentos míticos, idéias de passado moderno e fim dos tempos, pois o apocalipse preocupou muitos neste período (terrores do ano 1000), trazendo de forma implícita em si a concepção de um tempus médium, precedendo a nova era.

É visto que os historiadores são gratos a demografia histórica, pois houve vários tipos de movimentos migratórios, por motivos de doenças (peste e varíola), melhoras de vida e teve-se também, uma busca de equilíbrio de contingente, praticas que foram punidas pela Igreja que almejava controle sobre tudo.

A Idade Média deixou um grande legado, um verdadeiro patrimônio psicológico mítico e ocidental (intelectuais e artistas). Ontem e hoje lutamos pelas mesmas coisas, mesmo essas coisas tendo assumido formas historicamente diferentes, o homem atual se reconhece nesse processo onde o que “há de mais vivo é o passado” perpetuando assim a função do historiador, que é a de compreender e não a de julgar o passado.


Reflexões sobre a Obra de Hilário Franco Júnior.


FONTE: Junior, hilário franco. A Idade Média, O Nascimento do Ocidente.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Breve comentário: Egito e Realeza

Fragmento:

Por trás do faraó é possível discernir a concepção primitiva de um chefe dotado de poder sobre as forças naturais, de um rei fazedor de chuvas. "Na Mesopotâmia o governo monárquico não se fundava em nada comparável; a realeza, numa certa medida, permanceu problemática".

(H. Frankfort, "As formas históricas da realeza mesopotâmica")




Sabendo do universo infinito de riquezas, arriscarei mesmo que seja de forma superficial, uma passagem distinta entre as realezas referidas no fragmento acima.



O Egito juntamente com sua rica História Cultural, jamais poderia ser explicado integralmente em um simples texto, baseando-se na complexidade que cerca as formas de Realeza, o que faz com que esta concepção não se realize de maneira semelhante. Para os Historiadores é sobre humano discutir “tudo” e “todas” as culturas, pois trata-se de um universo muito distante para nós, devido vários fatores que se fazem presentes em nosso ofício, começando pela dificuldade de aproximação das fontes.

Ao falar do Egito temos de sermos esclarecidos quanto às “ações” que as fontes e vestígios sofreram ao longo do tempo, sejam por fenômenos naturais ou por interesses de superiores ou pelo próprio tempo, sem esquecermos-nos dos ladrões de túmulos, que dificultam assim a preservação e conservação das fontes (documentos). Por esses motivos o Egito vem sendo contado e recontado como um lugar mágico, misterioso e longe de um passado exótico. Filmes de aventura e mistérios que trazem sempre como cenário este Egito encantador e emblemático, aguçando ainda mais a vontade de conhecer um pouco mais, sobre este lugar que a mais de três mil anos esconde várias facetas de sua cultura admirável e complexa.

Para o homem moderno que está em contato com essa dificuldade das fontes primárias, faz com que o mesmo esteja propicio a um caminho de arremessos de conceitos, ou seja, uma relação extremada das comunidades nos moldes do exagero, ao falar de governos e de uma sociedade que se encontra hoje distante de nossa compreensão, restando apenas à semelhança de aceitar que todas as sociedades são diferentes.

Séculos atrás o Egito foi saqueado e tudo de precioso e útil foi desviado para Constantinopla, havendo assim uma dificuldade de remontar essa História e é apenas recentemente que vemos o Egito com este “olhar” que nossas “ferramentas” nos possibilitam. Ferramentas essas que não resolvem nossa questão, pois sabemos nós historiadores que existe um lugar onde nos apegamos, para colher o que há de informações corretas e relevantes em nossa concepção e ofício.

O Egito formou-se em torno das cheias do Rio Nilo (união do Nilo Branco com Nilo Negro), sendo da riqueza das águas que o Egito se ergue, o tamanho das cheias é de aproximadamente 28 metros de profundidade chegando até 40 quilômetros de extensão. A cada ano morriam várias pessoas e este fato era visto como uma renovação das épocas de chuva. A grandiosidade do encontro das águas fez com que o Faraó, considerado Rei de todos os seres e detentor de todas as forças, desenvolvesse um projeto de poder que visasse o controle dessas cheias. Mas o grande Nilo também é provedor de benefícios, pois fazia com que sua população vivesse do comércio por ele proporcionado, fato que trouxe por volta de 3000 a 3029 à unificação das duas partes do Egito próximas ao Nilo.

Umas das coisas que nos permite pensar que esta sociedade foi organizada eram o tipo de poder, que eles possuíam de realizar permanências imediatas e por terem relações com guerras, arte, alimentos, climas e culturas. No Egito é perceptível a continuidade de cultura e de séries de acontecimentos preservados, não existe no mundo moderno algo que seja incontestável e não existe processo que ligue todas as pessoas, se voltarmos ao passado de mudar curso de rios, pirâmides, pois isso se encaixa sem questionamento e briga no Egito. Pergunto se existe forma mais visível de dizer que existia uma organização e se estes fatores não são uma fonte visível de autoridade? A autoridade desapareceu do mundo moderno, não estamos atrelados a ela, pois ocorreu um apagamento de regime de autoridade devido nossa desvinculação de valores e do passado. A autoridade deixou de existir por volta do século XIII, por se desatrelar da tradição fazendo-se a modernidade, pois dizem que quanto mais sólido mais próximo se fica da destruição, então as autoridades tradicionais ficaram para trás (como a pather família).

O mundo do passado é a conservação e hoje os desprestígios dos regimes políticos estão presentes em nossa vida, estamos longe de sermos representados não sabemos nem em quem votamos. A crise de autoridade esta espalhada na política e na família, pois ninguém tem “medo” nem respeito e isso não pode ser explicado mais com respostas fúteis e sim filosóficas. O mundo moderno perdeu a autoridade e uma das coisas que deveriam realizar era um relacionamento das pessoas usando a hierarquia realizando assim a autoridade, essa relação do que manda e do que obedece, pois quem manda teria a autoridade de quem obedece, mas de forma que esta hierarquia fosse baseada na velhice (conhecimento e respeito) em um resgate de tradições e valores, que não usariam de coerção.

Para termos um melhor entendimento do Egito é preciso ter a sensibilidade de olhar valores contidos na “continuidade”, vendo assim o Faraó como algo a mais na vida dos egípcios, pois este último era visto como o homem das forças naturais que ordena o mundo das águas. O faraó se fez líder das águas e ordena um reino, porém jamais terá “paz”, mas é importante pensar que entorno dessa realeza havia uma organização social, que dividiam e controlavam tudo, sendo feito de certa forma uma engenharia de poder que controlava o líder á frente de negociações, guerras além de ligar o universo divino com o universo terreno, lembrando que o Egito é a porta de entrada e saída (comércio), tendo assim o controle do delta do Nilo. Este contexto fez do Egito um Estado ordenado que, luta por organização com outros países, pois tinha prestígio e um controle interessante juntamente com uma rota de comércio respeitada e invejada na época.

Temos que levar em consideração o rei fazedor de chuva visando que não existe essa figura em nenhuma outra parte do mundo, pois ele lida com tudo sendo uma só pessoa. Mesmo entre os Maias existe uma diferença na concepção de realeza comprometida com o ordenamento do mundo. No Egito formas de realeza são concentradas nas mãos do Faraó diferenciando das outras, e a única coisa que podemos fazer é especulações: saber com quem casou-se, quais eram seus inimigos, governos. Enfim contar alguma história e termos a capacidade de observar que essa sociedade complicada aos nossos olhos vive nessa organização.

O Egito que ordenou entorno do Nilo um Império gigante e comandou formas de poder e organização social, foi capaz de erguer monumentos, muros para a época das cheias e então o que nos sobra? pequenos fragmentos para construir a imagem do Faraó que visa glorificar os mortos para sua história ficar viva e isso é significativo para contar o que queremos através dessa conversa com os mortos (nas fontes encontradas em pesquisas). Essa capacidade de olhar para a natureza imutável e o Faraó teria que explicar a situação se o rio enchesse e se a chuva não viesse, ele era como um homem do tempo. Nós só compreendemos esses fatos e observamos (dias de hoje), mas o Faraó só ordena e tem confiança depositada na sua pessoa e não sabemos se é medo ou respeito, mas algo foi estabelecido nesta sociedade egípcia.

Esse fazedor de chuva comandava mãos de obra e ainda tinha que ser economista, dizia o que ia dar certo ou não, em nem tudo dava certo, pois, o Egito era um País de economia frágil dependente do Faraó que tinha que explicar períodos de secas e controlar ordenamentos, e se manter no poder perante a sociedade com recursos limitados, tendo que ter controle sobre a natureza e outras coisas que o cerca, tornando a vida deste líder um emaranhado de complexidades.

Olhando por uma das janelas que nos cercam, pode-se dizer que não há autoridade onde existe coerção. A autoridade existe sem jamais ter existido, pois há diferentes formas de pensar o regime de autoridade. A autoridade fator único senão decisivo na comunidade humana nunca existiu, ela esta contida em uma condição histórica, que muitos dos conceitos são históricos no tempo múltiplo e contraditório que vivemos.

Discutir “autoridade” que fazia parte da realeza é tão complicado quanto desvendar a construção exata das pirâmides.

Quando se sabe que

“Até a democracia é tirânica”.

fonte: Prova de História 2009

Disciplina: História Antiga
Prof: Juliano Pirajá

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Zygmunt Bauman e Jorge Luis Borges

     A partir de um tema proposto sobre a "imotalidade" presente nas obras de literatura pesquisadas, apresento uma discussão entre os textos de Zygmunt Bauman intitulado de “O Mal-Estar da Pós-modernidade” e o Conto de Jorge Luis Borges “O Imortal”. Ambos os textos trabalham em cima de um tema complexo que é a “imortalidade”, uma concepção de difícil contemplação filosófica e que não é uma discussão pós-moderna, pois desde que o mundo é mundo a morte é um mistério interessante, mas que até hoje não se tem algo definido sobre ela.

      Este contexto literário evoca algo mais antigo a respeito desta concepção de “imortalidade” antes mesmo da própria literatura moderna, a cerca de 1200 anos antes de Cristo. Mas precisamente em uma época em que vivia um dos maiores reis do Egito o Faraó Seti I durante uma época denominada "áurea" do reino egípcio.

      A cidade dos imortais aonde Joseph Cartaphilus chega após uma árdua caminhada, cheia de coisas extraordinárias como labirintos, corredores sem saída e janelas inalcançáveis terminam sem conduzir a parte alguma, “nesse palácio, construído por imortais para imortais, nada parecia ter sentido, nada servia a nenhuma finalidade” gerando assim uma busca de incertezas. Contrapondo essa viagem deste personagem, a vida de um dos maiores guerreiros do Egito nota-se a diferença que os separa no tempo e os aproxima na Pós-modernidade, por meios das “angustias” referente à morte. Na concepção egípcia a morte é uma passagem e não um fim certo, ou seja, uma continuidade que começa quando a “alma se separa do corpo”, onde o guerreiro enfrentará na morte a mais terrível de todas as batalhas (algo que parece com a viagem de Cartaphilus, mas após a morte).

      Tratando-se das realezas egípcias percebe-se que o corpo físico tem uma atenção fundamental comprovado pelo ritual de mumificação. Algo como “se o corpo fosse bem conservado a alma iria reconhecê-los e se unirem no além”, ou seja, a imortalidade presente após a morte como uma segunda jornada, que complementa a primeira. A realeza egípcia tem um lugar especial para descansar após a morte, alguns eram sepultados no Vale dos Reis após uma completa mumificação. Algo que se encerra de um lado e que começa em outro, uma luta pela ressurreição. No texto de Bauman ser imortal é coisa comum, com exceção do homem todas as criaturas são imortais, pois ignoram a morte. Para os mortais dar sentido as coisas esta acompanhado de saber que somos mortais, pois se a morte fosse algum dia vencida não haveria mais sentido em certas coisas da cultura humana (artes, ciência ou tecnologia).

      Para os egípcios após a morte uma jornada os espera, onde só poderiam ter êxito guiado por um livro, denominado “Livro dos Mortos”. O que prova que a morte também era tratada com seriedade por essas sociedades. Estudos de arqueólogos descrevem que quando um rei morre, torna-se o Deus Sol, pois se une a ele, numa identidade única. Como tal a batalha do Deus Sol no mundo inferior, é a batalha do próprio Faraó. Diferente dos pós-modernos para os egípcios o Sol era o santo dos santos, pensavam que se ele morresse literalmente a ocidente e em cada poente, logo rezavam para que voltasse a erguer-se a oriente na manhã seguinte. Observar a concepção egípcia quanto a essa passagem, percebe-se algo muito além da imortalidade, que outrora fora buscada por Cartaphilus. O Faraó e o sol tornavam-se uno uma imortalidade profunda e angustiante há 1200 anos.

      No texto de Baumam a imortalidade é discutida entre questões como coletivo e individual, onde afirma que “os seres humanos individuais são mortais”. Isso ocorre porque seres morem e as instituições a que eles pertenceram ficaram vivas (igreja, nação, partidos e causas). Bauman tem bastante sensibilidade de perceber esse contexto que molda muitas vezes a concepção do que deve ser imortal, devido suas qualificações aos grupos que pertencem. No Egito a vida na terra dependia do Faraó que morreu, pois quando este se unia ao sol a vida terrena dependia dessa jornada noturna, que se fosse bem sucedida traria o sol novamente no céu. Uma visão que mostrava que a vida dependia dos mortos que seguem em batalhas infinitas no além.

      A imortalidade egípcia não dependia somente da batalha, mas sim da pureza e da força mágica. Os egípcios buscavam a vida eterna, mas para isso precisavam ter um espírito puro e conhecimentos mágicos, onde a sabedoria iria abrir as portas para tal imortalidade. Uma imortalidade após a morte dependia também de uma conduta anterior, diferente da jornada de Cartaphilus, que buscava por uma cidade (cidade dos imortais) e que não tinha total pureza nem dons mágicos, mas a ânsia pela imortalidade.

      Bauman trata da morte “moderna” com várias nuances que o homem percorre em busca da imortalidade, por meio da ciência e logo ressalta que vivemos em uma época de temor demográfico. Porque agora a alta taxa de natalidade faz reluzir a questão dos recursos limitados. No Egito a vida dependia do sol, pois se ele não renascesse tudo morreria na escuridão, o sol era a vida, mas hoje a ciência fez nascerem outras fontes de vida, mas de forma limitada e paradoxal, como a tecnologia de transplantes e substituição de órgãos, a ciência em apoio com a medicina moderna adquiriu meios eficazes de prolongar a vida.

      Ao longo de milhares de anos, os egípcios desenvolveram formas elaboradas de tornar possível a jornada após a morte e ajudar a garantir uma vida perene. Esta demanda da imortalidade está no próprio cerne da civilização egípcia, pois para os antigos egípcios a jornada para o além era real. Assegurar essa vida eterna implicava numa organização de enorme número de pessoas e recursos, pois havia de alimentar exércitos de trabalhadores (escribas, pintores e artistas). Fica possível afirmar que as pirâmides e os túmulos edificaram o Egito, porque o seu conceito sobre a morte, o além e a imortalidade, levaram os egípcios a criar uma extraordinária arquitetura, lançando assim ao longo do tempo os alicerces de uma civilização que durou cerca de três mil anos. A imortalidade que evoco aqui para discutir com a imortalidade de ambos os autores, começa no túmulo (Egito). O túmulo egípcio quer se destinassem a reis ou a homens comuns, recriavam os cosmos e agiam como máquinas de ressurreição, nas quais o espírito do rei renascia e voltava a reunir-se ao corpo para que eles assim pudessem viver para todo sempre conduzindo a nação onde quer que estejam.

      Bauman cita outro fator importante pós-moderno, que é a informatização, pois com ela agora é possível ultrapassar as barreiras para futuras gerações como também banalizar de certa forma as obras, devido o fácil acesso e reprodução das mesmas sem preservação de uma autoria original. A relação que o Egito trouxe a essa discussão é possível no sentido de verificar a diferença que o conceito de imortalidade se deu ao longo deste processo de tempo. A sociedade pós-moderna busca de forma incansável a imortalidade por meios de vários recursos disponíveis, inclusive recorrendo a textos literários e outras formas de pesquisa e feitos. Borges trouxe combustível a essa questão por meio das mãos de Bauman que levantou vários pontos relacionados e imortalidade. A morte talves seja o segredo desta vida. Por mais que os intelectuais discutam sobre essas angustias relacionada à morte, sabemos que a grandeza que essa questão carrega transformou-se em um grande enigma, que escorre pelas mãos e cada civilização tem uma forma de lhe dar com esses questionamentos, ou seja, assim como os egípcios só nos será revelado este segredo após a morte, em nossa jornada no além.

BAUMAN, Zygmunt. O Mal-Estar da Pós-Modernidade. - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 1998. p.190 - 204.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

WILSON ARAGÃO

Por saber que esse blog tem afinidade com música e principalmente com um cantor símbolo de uma geração, que sabe apreciar a verdadeira música que tem um rico conteúdo filosófico e cultural, um grande amigo falou-me que tem apresso em especial por uma determinada música, então para homenagear três grandes pessoas que considero (Raul Seixas, Wilson Aragão e Rodolfo Torrez) me dedicarei a essa canção em meu texto.

Boa leitura.
       
Para abordar o assunto que eu quero tratar, primeiro tenho que falar de uma pessoa que aparece na mídia bem menos que o grande ídolo Raul Seixas. Bom ai você leitor deve estar se perguntando o que tem a ver, Wilson Aragão com o roqueiro baiano? Irei responder a esse questionamento na medida do possível, no decorrer do texto.
O assunto proposto por minha pessoa antes de tudo é uma homenagem a três pessoas, Raul Seixas, Wilson Aragão e Rodolfo Torrez (jornalista e colega de trabalho). Qual assunto é esse afinal? Rodolfo, este excelente colega de trabalho ao ver o blog gostou muito por saber que ali continha matérias sobre Raul Seixas, então perguntei: Rodolfo em sua opinião, o que você gosta da carreira musical de Raul Seixas? e ele respondeu, o assunto que eu vou abordar neste texto, que já está parecendo um “mistério” com tantos rodeios para chegar ao tão falado assunto.


Disse Rodolfo “CAPIM GUINÉ” ai então me senti na obrigação de prestar essa homenagem a esses amigos compartilhando meu texto baseado em meus conhecimentos e pesquisas a respeito desta excelente canção que contagia quem a ouve, espero que satisfaça ao público desta Cidade virtual, Anarkilópolis XXI.



 
O assunto é “CAPIM-GUINÉ” e a pessoa a que me refiro é um grande baiano do sertão de Piritiba/BA o cantor poeta WILSON ARAGÃO, que teve seu inicio musical em corais de colégios e igrejas da Bahia, mostrando-se um verdadeiro talento para o mundo rompendo fronteiras com suas canções poéticas carregadas de sentidos. Wilson Oliveira Aragão (25 de abril de 1950) é um grande compositor e cantor baiano, com aproximadamente 20 anos de carreira musical e pelo menos 4 CD`s gravados e participante de várias coletâneas e principalmente autor de sucessos como a música “CAPIM-GUINÉ” é isso mesmo! esta música pertence, a quem não sabe a este poeta cantor, do nordeste baiano. No fim da canção você ouve Raul Seixas dizer: Capiritiba saudade retada... dom d´oje ele chega....(esta é a Cidade da Bahia onde nasceu o compositor Wilson Aragão). A música “CAPIM-GUINÉ” foi gravada pelo saudoso Raul Seixas e Tânia Alves, mas na gravação de Raul a música ganha alterações em algumas partes, pois a letra original da música “CAPIM-GUINÉ” Wilson Aragão compôs em 1979 e Raul Seixas a gravou em 1983 (28 anos atrás) modificando algumas palavras, segundo o relato de Wilson em um vídeo postado no youtube. Wilson Aragão também é autor do sucesso “UMA GUERRA DE FACÃO” gravado por nosso ídolo amigo e admirador de Raul Seixas, o ZÉ RAMALHO.


Wilson Aragão com suas músicas de letras pensantes e filosóficas temperadas, com ritmos como baladas, xotes, martelos, chachado  e canções poéticas que mais tarde ganharam São Paulo, Salvador, Minas Gerais, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, e outros grandes estados fazendo seus shows e divulgando seus trabalhos em rádios e TV por todo Brasil.  

CAPIM-GUINÉ


Esta música foi composta no período da Ditadura Militar e como não poderia ser diferente carrega em seu conteúdo uma crítica a época. A canção "CAPIM-GUINÉ" ainda hoje se faz atual, pois quem conhece o repertório de Raul Seixas, sabe que suas músicas são sempre contemporâneas.

Boa leitura.

A canção "CAPIM-GUINÉ" é inspirada em momentos marcantes, onde o pai de Wilson Aragão em meio ao periodo da Ditadura Militar perde suas terras devidas invasões de grileiros. Segundo o compositor estes animais que aparecem no decorrer da música invadindo o sítio cultivado representam os políticos, a polícia, o exército. Sendo assim cada animal citado na música é um personagem da vida real, por exemplo, a raposa era comparada a um deputado, presidente ou um gerente de banco, a sussuarana representava como ele diz "aquelas polícias brabas mermo, que já chegavam arrepiando". A família deste compositor sentiu muita tristeza, dor e amargura de ter que vender suas coisas, para desocupar suas próprias terras as pressas (mesmo o pai de Wilson Aragão sendo um homem preparado para a reforma agrária, ele sofreu muito a perda de suas terras para este sistema).
Sendo assim cada animal tem um significado e no mesmo contexto a repressão é criticada nos versos, em certos momentos por Wilson, quando ele relata o "MEDO"  na estrofe que diz: "MINHAS GALINHAS JÁ NÃO FICAM MAIS PARADAS E O GALO DE MADRUGADA TEM MEDO DE CANTAR" (ser torturado ou sofrer represálias) sem esquecer também a crítica a sociedade da época no verso da música: "TA VENDO TUDO E FICA AI PARADO COM CARA DE VIADO QUE VIU CAXINGUELÉ". Por fim  em um momento da canção ele passa a melhor mensagem a dona "RAPOSA SO VIVE NA MARDADE, ME FAÇA A CARIDADE SE VIRE DE NO PÉ" e como Raul sempre dizia: "SE CHAMAREM! DIGA QUE EU SAI" (se a Ditadura bater na porta). Por ai a fora você leitor pode tirar muitos significados desta música e sua letra realista e atual.


OPS!!!  Estava me esquecendo... O Capim guiné também é conhecido como "capim colonião" espécie essa de capim que serve para alimentar o gado e também muito procurado por sua facilidade de resistência e reprodução em grande quantidade, pois uma vez cultivado, nasce o ano inteiro. O capim possui um conteúdo de 13% de proteína em sua composição, além de ter suas sementes apreciadas por várias espécies de passaros, dizem até que na Amazônia este capim serve de alimento para o peixe boi.

Será que por isso a música tem aquele refrão que diz assim: "NÃO PLANTO CAPIM GUINÉ PRA BOI ABANAR RABO EU TO VIRADO NO DIA... EU TO É RETADO COM VOCÊ"?
Bom ai é outro assunto e eu finalizo por aqui, aguardando a participação dos colaboradores do blog com seus preciosos comentários.